Crato

Crato
Praça da Sé

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dr. Borges

HOMENAGEM PÓSTUMA
AO QUERIDO AVÔ DR. RAIMUNDO DE OLIVEIRA BORGES
                                         

            Toda a região do Cariri nestes últimos dias 27 e 28 sentiu-se entristecida, como que uma nuvem negra pairassem sobres os olhos e corações de todos da nossa querida Cariri,  enlutada pela perda física de um dos seus filhos mais honrados,  o Dr.  Raimundo de Oliveira Borges. Mas apesar das explicações metereorológicas,  coincidência ou não, as duas últimas chuvas nestes respectivos dias, para muitos de nós foram recebidas como lágrimas dos céus, não de tristeza, mas de felicidade de todos os nossos entes que já se foram, que em festa, os recebiam ao lado do Grande Pai. Ao tempo que, apesar de sua imagem está perpetuada em nossos corações, ao menos, as águas que caíam limpavam os céus e os espíritos de todos nós, varrendo um pouco as sombras enegrecidas.
           
            Aos 02 de julho de 2007 proferi discurso em nome da família e aqui transcrevo uma curta passagem; “(...) baixo na estatura, mas um gigante na sapiência” (...). E assim viveu os seus 102 anos, lúcido, ereto e produtivo intelectualmente.
            Nascido aos 02 de julhos na antiga São Pedro, hoje Caririaçu. Tendo como seus genitores Clemente Ferreira Borges e Maria José de Oliveira Borges, mais intimamente conhecidos, respectivamente, como “Borge Véi” e “Mãe Nã”. Sendo o caçula de uma prole numerosa de 7 filhos: Domingos, Afonso, José, Rosa, Maria de Lourdes, Ana e Raimundo de Oliveira Borges.  
            Aos 16 de julho de 1932 contraiu lanços matrimoniais com Iraides de Sousa Borges, em Lavras da Mangabeira, terra natal de sua cônjuge. Sempre manteve estreitos vínculos afetivos com os seus parentes lavrenses, inclusive sendo presenteado pelo sogro Alexandre Bezerra de Sousa com o seu anel de formatura. Era querido pelos cunhados e sobrinhos lavrenses.
            A grande matriarca e querida avô Iraides foi sua coluna basilar, segundo meu próprio avô foi: “(...) foi a minha âncora por mares nem sempre bonaçosos”.
           
            Desta feliz união deram a luz a 9 filhos: Iracema, Rui, José Gil, Iradi, Raimundo Alberto, Iris Maria (a primeira), Roberto, Iris Maria, Ismênia. De suas sementes, raiz de uma frondosa árvore familiar, nasceram 26 netos, 35 bisnetos e 1 trineto. Ao encontro do pai já se foram seus filhos Iris Maria (a primeira), Raimundo Alberto e Zé Gil. Dos seus bisnetos, transformados em anjos, já se foram Alberto, Tiago e Alexandre.

            Sem fazer apologia ao que já se sabe, meu avô foi um vencedor. Filho de um comerciante de Caririaçu, homem de futurista visão, também atuante no ramo de Engenho e comércio de tecidos, resolveu, aconselhado pelos demais filhos, dentre eles Afonso, Cazuza e Domingos, investir nos estudos do meu avô. Reconheceram no filho ou no irmão caçula a inclinação às ciências e não ao comércio. Desde cedo meu avô, mesmo muito jovem, era convidado a proferir os discursos às autoridades que visitavam a sua cidade.
            Após as primeiras letras em sua cidade natal, seguiu para o Crato, onde deu continuidade aos seus estudos secundários no Seminário São José,
            Seguiu para Fortaleza com a pretensão de ingressar na Medicina, como ele mesmo disse: “doido, doido para ser médico na Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus na Bahia. Deixei o curso no segundo ano. Não tinha que ser médico. A Deusa Temis, Deusa do Direito, arrebatou-me para a sua religião. Tinha que ser Advogado”(...).

            Muitas foram as funções exercidas pelo meu avô, que furto aqui enumerá-las na íntegra pela impossibilidade do reduzido espaço que disponho.
            Imagino aqui as dificuldades que meu avô teve que enfrentar, deixando a farmácia que possuía em Caririaçu e já com dois filhos e ter que se deslocar até a capital, Fortaleza, para concluir seu Curso de Direito. Afonso, um dos seus irmãos mais queridos, assumiu a gerência do estabelecimento para possibilitar a realização do sonho do irmão.             Imaginemos as dificuldades nos anos 30 ter que ir até a capital estudar.
            Sempre tendo o apoio de sua grande esposa. Concluiu seu curso jurídico em 1937, sendo aclamado pela turma de 47 integrantes, dos quais faziam parte grandes nomes, futuros governadores, jornalistas e juristas, como: Wilson Gonçalves, Walter de Sá Cavalcante e Fran Martins, o orador da turma.
            Iniciou seus mister profissional como Promotor. Passando pelas comarcas de Tauá, Missão Velha e finalmente o Crato.

            Figurou por um breve espaço de tempo na política sendo Secretário Municipal, Prefeito Interino do Crato, Suplente de Deputado e Vereador, na época o mais votado do Crato, momento em que representou nossa cidade na comissão que se deslocou ao Rio de Janeiro em 1959 quando JK presidia o pais na campanha que pleiteava a vinda da energia de Paulo Afonso, lide que terminou vitoriosa com a eletrificação do Cariri em 28 de dezembro de 1961. Repito aqui um outro fragmento do meu discurso pelo seu centenário: (...) Não é à toa como diz o Dr. Napoleão Tavares neves a casa verde que meu avô residia, a casa verde da esperança tem na sua rua lateral a data da eletrificação do Cariri, rua que por sinal sempre foi conhecida como o  beco do Dr. Borges.

            Foi um dos co-fundadores das antigas faculdades de Filosofia, Economia e Direito, alicerces da Futura Universidade Regional do Cariri. Sendo Professor e Diretor destas Instituições por diversos anos.
            Como amante da vida campestre adquiriu fazenda, chegando a presidir por diversos anos a Associação dos Criadores do Cariri. Sendo inclusive também um dos Fundadores da EXPOCRATO, um dos maiores eventos do agro-negócio no Brasil. Membros de diversos grêmios literários como a Academia de Uruguaiana, dentre outras, era membro do ICC (Instituto Cultural do Cariri), por sinal foi seu presidente. Presidiu o Rotary por duas gestões. Defensor Público e Advogado renomado em diversos Estados do Nordeste. Segundo muitos foi o maior tribuno do Cariri. As querelas de júri entre o meu avô e o Dr. Luiz de Borba Maranhão encantavam os moradores do Crato. Era uma extensão de ensino, uma enciclopédia. Alguns amigos me contam que seus avôs mandavam seus filhos assistirem os júris, vão lá e aprendam o que esses homens sabem.
            Presidente do Conselho superior do Jornal do Cariri foi um dos seus colunistas mais atuantes. Sendo seus artigos publicados em diversos jornais da região e da capital. Um dos Fundadores do periódico Itaytera e tantas outras obras culturais. Sendo uma de suas últimas campanhas a defesa da permanência do Parque de Exposição do Crato, a melhoria da URCA e a estrada para encurtar a distância para fortaleza passando por Caririaçu e cidades adjacentes, o que levará a sua terra natal tão querida e outras próximas o desenvolvimento e que felizmente teve o privilégio de vê-la se concretizando. Por sinal aproveito aqui a ocasião, por maias que saiba que sendo via estadual é praxe receber designação da sigla do Estado e numeração, que a rebatizem como o nome do meu avô, por ter sido ele um dos seus maiores defensores.

            No caso da possível remoção da Expocrato, momento em que tive o prazer de representá-lo em audiência pública, quando pude explanar meus pensamentos para o Secretário do Desenvolvimento Agrário Camilo Santana. Inclusive escrevi artigo que brevemente será publicado pelo periódico a Província.

            Em vida recebeu centenas de Homenagens. O Título de cidadão cratense, a maior comenda municipal, a medalha Bárbara de Alencar, a Medalha Padre Ibiapina, a Comenda Advogado Padrão da OAB-CE, e criação de medalha com seu nome pela OAB-Sub-Secção Crato, sendo o primeiro homenageado seu filho Zé Gil, dentre outras.
            Bem na verdade o que aqui transcrevi é apenas um breve resumo de sua vida pública.
            Cotidianamente viveu os 102 anos lúcido e produtivo. Escrevia diariamente e estava concluindo mais um livro: As grandes mulheres cearenses. Ao todo foram vinte e cinco, entre breves biografias, como Iraides, in memoriam, como obras de grande crivo pesquisador e densas em complexidade e volume, como História da Comarca do Crato, primeiro sobre o tema e alguns outros sobre o Direito.

            Foi-se o patriarca fisicamente, mas permanecerá o legado de um dos maiores benfeitores do Crato.
            Deixou uma família de milhares entre os Borges, os Bezerras, os Oliveiras e tantas outras famílias que a nós se somaram através de casamentos e verdadeiras amizades    

             Em meus artigos, aulas e alguns esboços de livros que venho preparando, alguns alunos me perguntavam as fontes do que escrevia ou falava. Dizia, nada disto está escrito. Foi-me dito por uma testemunha ocular, o meu avô.

            O que me conforta neste momento é saber que ele partiu da forma que desejaria ir. Lúcido e produtivo e sem muito sofrimento. Ele temia definhar.
            Até o último minuto não esquecia a sua Cariri. Ao contrário do que muitos fariam; afinal filhos criados, vida feita; este homem continuava, à medida do seu alcance, a se dispor em defesa daquilo que acreditava. Continua sendo o mesmo tribuno de sempre, o mesmo causídico do passado.
            As letras digitadas em sua antiga máquina de datilografia repercutiam da mesma forma que seus inflamados e vibrantes discursos. As suas últimas cartas ocupavam o mesmo papel de suas antigas petições. Quem o conheceu o admira. E reconhece o benefício que ao longo destas décadas DR. BORGES presenteou nossa cidade e toda a Região

            É com grande emoção que transcreverei aqui uma breve citação que proferi em seu velório representando a família.


Vovô


É com profundo sentimento de perda que leio essas palavras, que resolvi transcrevê-las,
Diferentemente do que costumo fazer, temendo que a emoção silenciasse a minha voz.
Primeiramente, mais uma vez, gostaria de repetir o grande afeto e admiração que todos nós: netos, filhos, bisnetos, trineto, genros, noras e sobrinhos sentimos pelo senhor.
Parafraseando o Fran, o neto mais velho, nunca achamos perda da própria personalidade quando diziam: “Este é neto do Dr. Borges.” Muito pelo contrário.

Sua vida, pautada na luta e na solidariedade sempre será para nós um exemplo.

Mas lhe fiz este verso:

“Os desafios são temidos e impiedosos
Transpostos são amados e respeitados, pois nos fazem crescer”
Seus desafios foram muitos. O senhor. os venceu e foi e sempre será um grande homem. Para mim o maior que esta terra conheceu.

Sentirei muita saudade de nossas conversas sobre História e das querelas jurídicas que o Sr. me falava.

Aqui vovô estão reunidos praticamente todos os seus familiares e amigos pra dizer que estamos nos despedindo, com a crença que o Santo Deus em breve nos permitirá um reencontro.

O Cariri inteiro lhe é grato pelos relevantes serviços prestados à nossa Região, que aqui me furto de enumerá-los em face da dimensão.

No desfazer desse dia lhe entregaremos nas mãos do Senhor e dos nossos entes queridos que já se foram. A grande matriarca , a querida vovó Iraides lhe abraçará, como seus filhos Iris ( a primeira), Tio Beto, Tio Zé, Xandinho , além dos seus pais, irmãos e sobrinhos. Neste momento, no fim da tarde, momento em que o Sol começa a desbotar,
Por volta da 17:00 hs, quando o sepultaremos, “assistiremos ao crepúsculo de dois sóis”.

Com muito amor seu neto Ângelo Borges Papaléo e todos os demais familiares”

Gostaria de agradecer as autoridades aqui presentes, os representes da Universidade Regional do Cariri e os colegas do meio jurídico e a todos amigos do meu avô que ele soube construir ao longo dos seus 102 produtivos.

O que me conforta é saber que meu avô partiu pra outro plano da forma que ele desejava. Até o último minuto lúcido e produtivo, tendo uma morte menos sofrível possível.

Muito Obrigado


Ângelo Borges Papaléo

A Exposição do Crato

Professor Ângelo Borges


Ao Crato o que lhe é de Direito

            Mais uma vez a Província prova seu papel de vanguarda nas grandes questões de nossa cidade. Como se prova com mais esta edição, que somada às dezenas de outras anteriormente publicadas, cumpre seu relevante papel de esclarecer e suscitar, através de seus grandes colaboradores, o pensamento e as idéias de diversas expressões de nossa sociedade.

            Orgulho-me de poder, pela primeira vez, dar a minha singela contribuição. Apesar de ser grande a responsabilidade, aceitei o convite do grande professor e amigo Jurandir Timóteo, de acrescer a esta obra, as posições que defendi e continuo defendendo nas audiências e entrevistas nos grandes ciclos de debates que venho participando sobre a possível TRANSFERÊNCIA DO PARQUE DE EXPOSIÇÕES DO CRATO.
           
            Não pude me furtar da responsabilidade de expor meus próprios pontos de vista e de também representar, em face de sua avançada idade, o meu avô, DR. RAIMUNDO DE OLIVEIRA BORGES. Tarefa das mais difíceis. Pois por mais que venham a ser convincentes as minhas colocações, ao certo, carecerão do nível de fundamentação das que meu ilustre avô faria.
           
            Não faço aqui apologia ao que já se sabe. E não acho que seja exagero enaltecê-lo. Afinal todos sabem que Dr. Raimundo de Oliveira Borges figura como um dos homens que mais lutou e ainda continua lutando, apesar dos seus 102 anos, em prol dos interesses de nossa cidade.
           
            Ao contrário do que muitos fariam; afinal filhos criados, vida feita; este homem continua, à medida do seu alcance, a se dispor em defesa daquilo que acredita. Continua sendo o mesmo tribuno de sempre, o mesmo causídico do passado.
            As letras digitadas em sua antiga máquina de datilografia repercutem da mesma forma que seus inflamados e vibrantes discursos. As suas cartas atuais ocupam o mesmo papel de suas antigas petições. Quem o conhece o admira. E reconhece o benefício que ao longo destas décadas DR. BORGES vem presenteando nossa cidade.
           
            Então como desprezá-lo? Como não considerá-lo oportuno nesta discussão? Será que Dr. Borges perdeu o seu valor?
            Será justo, como me chegou aos ouvidos, que ele deveria se resignar na sua condição de centenário. Ora mais o que quer D. Borges se metendo nisso? Alguns balbuciaram. Mas será que a mais digna consciência irá lhe denegar os relevantes serviços prestados a nossa cidade? Quer dizer então que ele não serve mais?
           
            Amigos, os homens de bom senso conhecem a trajetória deste homem que lutou pela iluminação do Cariri, pela criação das nossas Universidades e contribuiu para a criação do Parque de Exposição do Crato.
            Seu empenho nestas grandes conquistas nunca foi feita à base da busca da recompensa material ou dos agradecimentos das pessoas. Fez porque sempre amou nossa Cidade. Não seguiu trajetória política. E nem por isso deixou de se empenhar. Então a sensatez exige senão acato as suas palavras ao menos respeito.
           
            Não nego que o tenho como referencial. Procuro seguir seus caminhos e ouço atenciosamente seus conselhos. Quem em sã consciência não seguiria?
            Foi o seu exemplo que me fez optar pelo Curso de Ciências Jurídicas, e a voz, através das aulas que ministro em diversas Instituições do Cariri, também me permite, se bem que em inferior degrau, apresentar-me, onde a palavra e o bom debate sejam solicitados.

            A Questão da transferência do Parque de Exposição da cidade do Crato nos pegou de surpresa. Ficamos atônitos de início. Será possível? Procede? Cogitava-se até que iria para o Juazeiro.
            Os ânimos afloraram. Inclusive reacendendo uma infrutífera rivalidade com nossa filha- irmã Juazeiro. Quem pôde procurou incendiar as paixões. Infelizmente muitos se confortam com a polêmica e a desunião.
           
            Não nos colocamos em defesa do nosso Parque de Exposições por reação ao Juazeiro. Até porque já se desmistificou tal conversa.
            Não nos interessa alimentar essa rivalidade que tanto nos enfraquece. Unidos seríamos muito mais. Mas infelizmente as coisas não têm sido bem assim. É evidente o quanto o Crato tem sido preterido pelos projetos dos últimos Governos. E pasmem! Não responsabilizemos apenas os Governos. Chamemos para nós a responsabilidade que nos cabe. Quando sugiro união, condiciono a uma igualdade das partes. Se assim não for é submissão, condição com a qual não pactuamos.

            Não foram poucas as vezes que ouvi meu avô falar sobre o Parque de Exposição. Meu filho aqueles pés de eucalipto foram plantados por Pedro Felício, Wilson Gonçalves e eu também coloquei uma terrinha. Começamos com apenas 20 cabeças. (...) Que beleza agora passa até na televisão.

            É tão simples assim? Chegar agora é dizer que não há condição de se manter o Parque de Exposição onde está? Temos vinte e cinco milhões para investir em um Novo Parque.

            Para os desarrazoados e imediatistas a cifra encanta os olhos ou faz coçar as mãos de alguns que de alguma forma poderiam se beneficiar com a transferência. Mas será que estas mesmas pessoas conhecem a dimensão do que se propõe?

            Para mim ou para você, vinte e cinco milhões representam muito dinheiro. Mas não o suficiente para fazer um Parque melhor do que já temos. E o pior é que nos impuseram uma condição. “Há se não querem invisto em outro lugar”.
           
            É preciso que alguém elucide o nosso digníssimo Governador que o público não é privado. O dinheiro do povo não deve ser investido segundo suas posições pessoais, e sim, baseado em um primoroso modelo de gestão que contemple as regiões pela sua potencialidade, necessidades e esforços. Os prometidos vinte e cinco milhões não são um favor e sim uma obrigação do Estado para com o Crato.
           
            Será que o amigo leitor tem a dimensão do que esta festa representa? Ela movimenta milhões de reais anualmente e representa em apenas sete dias, aproximadamente, metade nos negócios do setor agro-pecuário da Região em todo um ano. Quem conhece pode dimensionar. Fala-se que a área para o Parque de diversões foi alugado por aproximadamente 80.000 reais. Barracas como a de Seu Luiz Jacu em torno de 5.000 reais. Os quiosques menores na parte do show variavam entre 800,00 a 1.000 reais. Ambulantes de caixa na mão, vendedores de chiclete e bombons, pagaram entre 80,00 a 150,00. Quantas barracas e vendedores ambulantes havia na Festa? Quanto custou o direito de propaganda? Quanto cada empresa pagou ao governo ou ao concessionário para exibir aqueles grandes balões? Quanto a Empresa de cerveja e refrigerante pagou pela exclusividade?  
           
            A Expo-Crato não é apenas um evento auto-sustentável é um negócio bastante lucrativo. Mas façamos a pergunta, quem lucra?

            Será que a Expo- Crato realmente é do Crato, dos cratenses, ou apenas se realiza aqui?
            É preciso que analisemos bem a questão. Tento imaginar quanto deve circular de bebida em um Evento de tamanho porte. Concorda que são milhões de reais? Será que não era dever do Estado permitir que os visitadores optassem pela cerveja ou refrigerante de sua predileção? Será que não está se ferindo o Direito do Consumidor ao se impor apenas um tipo ou uma marca quando existem várias? Caso contrário será que não deveria haver um processo licitatório?
           
            A questão é mais complexa do se pensa. Mas procuro ver também pelo lado bom da coisa. Será que nós nãos estávamos adormecidos? Nós cratenses de nascimento ou de coração sempre falamos orgulhosamente de nossa grande festa. Você conhece a Expo-Crato? Quantos de nós já fizeram esta pergunta a um amigo da Capital ou de Estados vizinhos? Pense numa festa boa! Estou certo? Mas é incrível como a cada ano que passa ela vem deixando de ser dos cratenses.

            Que pena não nos termos mobilizado quando o Governo do Estado requereu do EX-PREFEITO WALTER PEIXOTO a devolução da Festa ao seu controle. Tinha direito? Bem o terreno do Parque de Exposições pertence ao Estado. Mas ao longo de muitas gestões municipais foram sendo feitas melhorias, se de pequeno porte, mas foram investidos recursos municipais. Temos sim uma parcela significativa na construção do que o Parque é hoje. Se não houve uma mobilização maior por parte do Prefeito da época, fica aí a difícil missão do nosso atual prefeito de se posicionar e liderar os nossos anseios. Aí reside a diferença entre um Prefeito e um verdadeiro líder político.

            Quantas cidades neste Brasil gostariam de ter uma festa como a nossa. Impossibilidade de mantê-la? Não acredito. Como não se pode manter o que é lucrativo? Poderíamos ter uma Secretaria específica só para o Evento. Se não tem mais jeito de reavê-la, é preciso análise em que bases jurídicas foram feitas a transferência, podemos ainda contribuir para que ela melhore.

            Fiquei boquiaberto com as expressões usadas pelo digníssimo Governador quando da abertura da Expo-Crato: que eram espíritos de porco, aqueles que estavam dizendo que iria tirar a Expo Crato da cidade. Mas digo uma coisa, quem nunca usou uma expressão mais ríspida, quem nunca se colocou de uma forma indevida? 

            Tudo bem Senhor Governador. Acredito em um equívoco. Tenho certeza que não era a sua intenção se referir assim. Tenho certeza que na próxima ocasião se dirigirá ao nosso povo com mais respeito.

            Quando da realização da Audiência Pública dirigida pelo nobre representante do Ministério Público, Dr. Pedro, os mais ilustres representantes da sociedade cratense fizeram suas considerações. Instituições como a CDL, o Sind-Lojas, a Fetraece, Presidente da Câmara, prof. Cacá, o Prefeito Municipal Dr. Samuel Araripe, o Secretário do Desenvolvimento Agrário Camilo Santana, Eu (Ângelo Borges- representando meu avô) e outros mais, expuseram suas opiniões. Só não se expressou quem não quis. Para melhor conhecimento do que foi dito basta acessar o blog do Crato (Dihelson), clicar no dia 15 de julho e ouvir os pronunciamentos. Tire suas próprias conclusões.
           
            Para os que lá estavam ficou claro que se firmou um coral harmonioso. Não me recordo quem tenha se pronunciado em favor da transferência, sendo exceção, apenas sutilmente, o Sr. Camilo Santana.
            Quando o Sr Secretário levantou a idéia que deveríamos discutir a questão do Parque apenas pautados em critérios técnicos, discordei. Não podemos levar em consideração apenas sobre critérios técnicos. O Parque de Exposição tem uma tradição. Já se passaram quase 60 anos de sua fundação. Existe uma áurea de aconchego. Cada Pavilhão daquele representa uma História. Receio que a alteração desconfigure o clima de bem estar que sentimos ao freqüentá-lo. Conheço inúmeras festas que possuem Infra-Estrutura similar ou melhor que a nossa e nem por isso representam sucesso.

            Tradição é coisa séria e não significa atraso como muitos pensam. Nossos avôs freqüentavam o Parque. Hábito que foi passando de geração para geração. É incrível como a Expocrato representa a confraternização das famílias. Muitos dos nossos cidadãos que moram em Estados distantes voltam à terra natal para vivenciar a época da juventude e possibilitar que seus filhos conheçam e continue uma História iniciada por eles.
            Transferi-lo para uma área distante de onde estar, no Centro da cidade. Poderá descaracterizá-lo. Não podemos conceber a nossa Expocrato como sendo um Evento unicamente Agro-Pecuário. Na verdade é o maior evento turístico da Cidade. Estamos entre as cinco maiores Exposições agro-pecuárias do país. E de certo tal sucesso deve-se também ao seu sucesso social. Estima-se que entre 50.000 a 70.000 pessoas passaram a semana da Expo-Crato em nossa cidade. Muitos destes visitaram Juazeiro e dinamizaram o comércio de nossa vizinha. As pessoas desta cidade já estão habituadas com o Parque, já o conhecem como a palma da mão. E tenha a certeza que o comércio do Crato irá sentir uma queda. Estando próxima como está do centro da cidade, muitas pessoas fazem suas compras antes ou depois de ir ao Parque. Será que sua retirada não irá prejudicar o nosso comércio, que já anda meio combalido?

            Não negamos os problemas da ExpoCrato. Carência de banheiros, a questão do fétido rio, etc. Mas qual é o grande Evento que não tem seus problemas. Quem acredita que tais problemas não existirão em outro Parque.

            Existe um Projeto, por sinal parte dele já está exposto no Blog do Crato. A Prefeitura Municipal possui o Projeto. Pode ser seguido, melhorado, alterado, ampliado. Mas alertamos e aqui registramos. Não comentam o erro de destruir o nosso maior Evento.
           
            Muitos alegam a falta de espaço. Para os que não sabem a área do Parque possui aproximadamente 40 hectares, dos quais parte significativa ainda está inutilizada.
            Existe congestionamento? Sim existe. Mas é possível minimizá-lo envolvendo-o por um cinturão viário que fluirá o tráfego. Ruas podem ser abertas pelo pantanal, para dar acesso aos animais ou até mesmo veículos. O alto da Penha pode receber melhorias permitindo outra via de acesso. A abertura do Palco pode ser dirigida para outro sentido para minimizar o prejuízo para os pacientes do Hospital São Francisco. Falou-se até na construção de um lago no Parque o que minimizaria os problemas de enchentes na Praça da Sé, Cemitério e Rua da Vala. Bem são muitas as sugestões. E os projetos mostram essa viabilidade.
           
            Sinceramente será que vocês acreditam que o interesse é ampliar a Universidade, como o Governo vem alegando? Digo, porque conheço, dela fui aluno, e por ela passo quase todos os dias. Tenho amigos professores e alunos na URCA. Seu problema não é de espaço e sim de gerenciamento. A URCA precisa é ser reestruturada. Pode crescer verticalmente. Pode ser desapropriado o terreno de quase 4.000 metros quadrados que existe na frente etc.
            Não queremos tamanho Senhor Governador, queremos qualidade. A URCA vem perdendo gradativamente seus mestres. O Governo não realiza Concurso para professor efetivo e por aí vai. Prioridade para a Educação? Nem ao menos concordou em pagar o piso dos professores da Rede Estadual. Então vamos debater em alto nível. Porque essa não cola. Sinceramente o que a Universidade vai fazer com 40 hectares. Se porventura possuísse Cursos de veterinária ou de agronomia, que exigem ampla área para animais e plantação até caberia a necessidade.
            O que será dos pavilhões, dos currais? O Governo precisaria de milhões para construir uma nova estrutura universitária no Parque. Vocês ouviram o Governo afirmar se existe verba orçamentária para ampliar o Campus do Pimenta? Falou-se de 25 milhões para o Novo Parque. Quantos milhões o Governo têm para a nova Universidade? Caso contrário vão botar tudo abaixo, o que lá existe se perecerá ou será roubado e nós teremos um terreno baldio no centro da cidade.    
           
            Há anos a Universidade recebeu doação de milhares de metros quadrados atrás da Universidade para construção do Ginásio. Foi construído? O Governo Municipal já se comprometeu em ceder 10.000 metros quadrados para a Instituição, Ela se manifestou? Por que não se faz o Campus de São Miguel, próximo onde esperamos a construção do Centro de Convenções e a Universidade Católica. Não fica mais adequado? O terreno até já foi prometido pelo Governo Municipal, então pra que gastar o dinheiro público indenizando “a” ou “b”, se já existe terreno cedido? Será que há lisura nessa intenção de desapropriar terras de “a” e “b”?

            Não quero me alongar mais. Mas confesso que fiquei entusiasmado com Juarandir Timóteo quando ele me disse: “Angelo, queremos do Parque de Exposições o nosso Mini Ibirapuera”. Porque não? Aquela área pode ser a área de lazer do povo do Crato. Dei entrevista ao Carlos Bezerra da Rádio Educadora dizendo exatamente isso. Poderíamos ter lá quadras, equipamentos de exercícios físicos, espaço para cooper, ciclo vias, concha acústica, etc. O espaço da quadra serviria de piso para os stands na época da Expocrato. Sendo movimentado constantemente atrairia segmentos de churrascarias, etc.
            Enfim muita coisa pode ser feita. Sem levar em consideração que outros dois Eventos já começam a se consolidar no Parque o BERRO e a EXPROAFRO. Será que eles continuarão a ter o mesmo ritmo de crescimento em outro local distante do fluxo de pessoas?
            A localização central do Parque facilita o acesso das pessoas à pé. Vamos ali na Expocrato, quantos não fazem isso? Passeiam, lancham, etc.
            Existe espaço sim para construção de novos pavilhões, baias, alojamento para vaqueiro, armazém para estocagem de feno, etc. Tudo pode ser feito ali.
            Ao invés de destruir, vamos renovar, melhorar. Os vinte e cinco milhões podem ser usados nestas melhorias.
            Tantas cidades realizam Eventos patrocinados pelo dinheiro público como o Festival de Inverno de Garanhus, o de Jazz de Guaramiranga. Se o Crato é a cidade da Cultura é preciso fornecer elemento cultural à altura. Não é o que temos visto nas atrações dos últimos anos na Expo-Crato.
           
            Tenho conversado com Jurandir Timóteo para a necessidade de fazermos um levantamento do patrimônio do que lá já existe. Brevemente noticiaremos esta informação.
            Posso até ter sido petulante ao dizer na audiência pública: “Não é ameaça é debate. Se o Governo do Estado bater o martelo e mudar a Expocrato, pode até ser que mude, mas o Governo perderá o apoio do povo do Crato”
           
            É chegada a hora de valorizarmos a nossa cidade e nos unirmos em sua defesa. Não aceitaremos ser passados para trás.

            Não pensemos pequeno, juntos somos mais. E se nos mobilizamos em defesa da Nossa Expocrato. Vamos nos manter unidos para que todas essas reformas sejam concretizadas.   
              
Ângelo Borges Papaléo
Bacharel em Ciências Jurídicas, Professor e Cratense