Crato

Crato
Praça da Sé

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Exposição do Crato

Professor Ângelo Borges


Ao Crato o que lhe é de Direito

            Mais uma vez a Província prova seu papel de vanguarda nas grandes questões de nossa cidade. Como se prova com mais esta edição, que somada às dezenas de outras anteriormente publicadas, cumpre seu relevante papel de esclarecer e suscitar, através de seus grandes colaboradores, o pensamento e as idéias de diversas expressões de nossa sociedade.

            Orgulho-me de poder, pela primeira vez, dar a minha singela contribuição. Apesar de ser grande a responsabilidade, aceitei o convite do grande professor e amigo Jurandir Timóteo, de acrescer a esta obra, as posições que defendi e continuo defendendo nas audiências e entrevistas nos grandes ciclos de debates que venho participando sobre a possível TRANSFERÊNCIA DO PARQUE DE EXPOSIÇÕES DO CRATO.
           
            Não pude me furtar da responsabilidade de expor meus próprios pontos de vista e de também representar, em face de sua avançada idade, o meu avô, DR. RAIMUNDO DE OLIVEIRA BORGES. Tarefa das mais difíceis. Pois por mais que venham a ser convincentes as minhas colocações, ao certo, carecerão do nível de fundamentação das que meu ilustre avô faria.
           
            Não faço aqui apologia ao que já se sabe. E não acho que seja exagero enaltecê-lo. Afinal todos sabem que Dr. Raimundo de Oliveira Borges figura como um dos homens que mais lutou e ainda continua lutando, apesar dos seus 102 anos, em prol dos interesses de nossa cidade.
           
            Ao contrário do que muitos fariam; afinal filhos criados, vida feita; este homem continua, à medida do seu alcance, a se dispor em defesa daquilo que acredita. Continua sendo o mesmo tribuno de sempre, o mesmo causídico do passado.
            As letras digitadas em sua antiga máquina de datilografia repercutem da mesma forma que seus inflamados e vibrantes discursos. As suas cartas atuais ocupam o mesmo papel de suas antigas petições. Quem o conhece o admira. E reconhece o benefício que ao longo destas décadas DR. BORGES vem presenteando nossa cidade.
           
            Então como desprezá-lo? Como não considerá-lo oportuno nesta discussão? Será que Dr. Borges perdeu o seu valor?
            Será justo, como me chegou aos ouvidos, que ele deveria se resignar na sua condição de centenário. Ora mais o que quer D. Borges se metendo nisso? Alguns balbuciaram. Mas será que a mais digna consciência irá lhe denegar os relevantes serviços prestados a nossa cidade? Quer dizer então que ele não serve mais?
           
            Amigos, os homens de bom senso conhecem a trajetória deste homem que lutou pela iluminação do Cariri, pela criação das nossas Universidades e contribuiu para a criação do Parque de Exposição do Crato.
            Seu empenho nestas grandes conquistas nunca foi feita à base da busca da recompensa material ou dos agradecimentos das pessoas. Fez porque sempre amou nossa Cidade. Não seguiu trajetória política. E nem por isso deixou de se empenhar. Então a sensatez exige senão acato as suas palavras ao menos respeito.
           
            Não nego que o tenho como referencial. Procuro seguir seus caminhos e ouço atenciosamente seus conselhos. Quem em sã consciência não seguiria?
            Foi o seu exemplo que me fez optar pelo Curso de Ciências Jurídicas, e a voz, através das aulas que ministro em diversas Instituições do Cariri, também me permite, se bem que em inferior degrau, apresentar-me, onde a palavra e o bom debate sejam solicitados.

            A Questão da transferência do Parque de Exposição da cidade do Crato nos pegou de surpresa. Ficamos atônitos de início. Será possível? Procede? Cogitava-se até que iria para o Juazeiro.
            Os ânimos afloraram. Inclusive reacendendo uma infrutífera rivalidade com nossa filha- irmã Juazeiro. Quem pôde procurou incendiar as paixões. Infelizmente muitos se confortam com a polêmica e a desunião.
           
            Não nos colocamos em defesa do nosso Parque de Exposições por reação ao Juazeiro. Até porque já se desmistificou tal conversa.
            Não nos interessa alimentar essa rivalidade que tanto nos enfraquece. Unidos seríamos muito mais. Mas infelizmente as coisas não têm sido bem assim. É evidente o quanto o Crato tem sido preterido pelos projetos dos últimos Governos. E pasmem! Não responsabilizemos apenas os Governos. Chamemos para nós a responsabilidade que nos cabe. Quando sugiro união, condiciono a uma igualdade das partes. Se assim não for é submissão, condição com a qual não pactuamos.

            Não foram poucas as vezes que ouvi meu avô falar sobre o Parque de Exposição. Meu filho aqueles pés de eucalipto foram plantados por Pedro Felício, Wilson Gonçalves e eu também coloquei uma terrinha. Começamos com apenas 20 cabeças. (...) Que beleza agora passa até na televisão.

            É tão simples assim? Chegar agora é dizer que não há condição de se manter o Parque de Exposição onde está? Temos vinte e cinco milhões para investir em um Novo Parque.

            Para os desarrazoados e imediatistas a cifra encanta os olhos ou faz coçar as mãos de alguns que de alguma forma poderiam se beneficiar com a transferência. Mas será que estas mesmas pessoas conhecem a dimensão do que se propõe?

            Para mim ou para você, vinte e cinco milhões representam muito dinheiro. Mas não o suficiente para fazer um Parque melhor do que já temos. E o pior é que nos impuseram uma condição. “Há se não querem invisto em outro lugar”.
           
            É preciso que alguém elucide o nosso digníssimo Governador que o público não é privado. O dinheiro do povo não deve ser investido segundo suas posições pessoais, e sim, baseado em um primoroso modelo de gestão que contemple as regiões pela sua potencialidade, necessidades e esforços. Os prometidos vinte e cinco milhões não são um favor e sim uma obrigação do Estado para com o Crato.
           
            Será que o amigo leitor tem a dimensão do que esta festa representa? Ela movimenta milhões de reais anualmente e representa em apenas sete dias, aproximadamente, metade nos negócios do setor agro-pecuário da Região em todo um ano. Quem conhece pode dimensionar. Fala-se que a área para o Parque de diversões foi alugado por aproximadamente 80.000 reais. Barracas como a de Seu Luiz Jacu em torno de 5.000 reais. Os quiosques menores na parte do show variavam entre 800,00 a 1.000 reais. Ambulantes de caixa na mão, vendedores de chiclete e bombons, pagaram entre 80,00 a 150,00. Quantas barracas e vendedores ambulantes havia na Festa? Quanto custou o direito de propaganda? Quanto cada empresa pagou ao governo ou ao concessionário para exibir aqueles grandes balões? Quanto a Empresa de cerveja e refrigerante pagou pela exclusividade?  
           
            A Expo-Crato não é apenas um evento auto-sustentável é um negócio bastante lucrativo. Mas façamos a pergunta, quem lucra?

            Será que a Expo- Crato realmente é do Crato, dos cratenses, ou apenas se realiza aqui?
            É preciso que analisemos bem a questão. Tento imaginar quanto deve circular de bebida em um Evento de tamanho porte. Concorda que são milhões de reais? Será que não era dever do Estado permitir que os visitadores optassem pela cerveja ou refrigerante de sua predileção? Será que não está se ferindo o Direito do Consumidor ao se impor apenas um tipo ou uma marca quando existem várias? Caso contrário será que não deveria haver um processo licitatório?
           
            A questão é mais complexa do se pensa. Mas procuro ver também pelo lado bom da coisa. Será que nós nãos estávamos adormecidos? Nós cratenses de nascimento ou de coração sempre falamos orgulhosamente de nossa grande festa. Você conhece a Expo-Crato? Quantos de nós já fizeram esta pergunta a um amigo da Capital ou de Estados vizinhos? Pense numa festa boa! Estou certo? Mas é incrível como a cada ano que passa ela vem deixando de ser dos cratenses.

            Que pena não nos termos mobilizado quando o Governo do Estado requereu do EX-PREFEITO WALTER PEIXOTO a devolução da Festa ao seu controle. Tinha direito? Bem o terreno do Parque de Exposições pertence ao Estado. Mas ao longo de muitas gestões municipais foram sendo feitas melhorias, se de pequeno porte, mas foram investidos recursos municipais. Temos sim uma parcela significativa na construção do que o Parque é hoje. Se não houve uma mobilização maior por parte do Prefeito da época, fica aí a difícil missão do nosso atual prefeito de se posicionar e liderar os nossos anseios. Aí reside a diferença entre um Prefeito e um verdadeiro líder político.

            Quantas cidades neste Brasil gostariam de ter uma festa como a nossa. Impossibilidade de mantê-la? Não acredito. Como não se pode manter o que é lucrativo? Poderíamos ter uma Secretaria específica só para o Evento. Se não tem mais jeito de reavê-la, é preciso análise em que bases jurídicas foram feitas a transferência, podemos ainda contribuir para que ela melhore.

            Fiquei boquiaberto com as expressões usadas pelo digníssimo Governador quando da abertura da Expo-Crato: que eram espíritos de porco, aqueles que estavam dizendo que iria tirar a Expo Crato da cidade. Mas digo uma coisa, quem nunca usou uma expressão mais ríspida, quem nunca se colocou de uma forma indevida? 

            Tudo bem Senhor Governador. Acredito em um equívoco. Tenho certeza que não era a sua intenção se referir assim. Tenho certeza que na próxima ocasião se dirigirá ao nosso povo com mais respeito.

            Quando da realização da Audiência Pública dirigida pelo nobre representante do Ministério Público, Dr. Pedro, os mais ilustres representantes da sociedade cratense fizeram suas considerações. Instituições como a CDL, o Sind-Lojas, a Fetraece, Presidente da Câmara, prof. Cacá, o Prefeito Municipal Dr. Samuel Araripe, o Secretário do Desenvolvimento Agrário Camilo Santana, Eu (Ângelo Borges- representando meu avô) e outros mais, expuseram suas opiniões. Só não se expressou quem não quis. Para melhor conhecimento do que foi dito basta acessar o blog do Crato (Dihelson), clicar no dia 15 de julho e ouvir os pronunciamentos. Tire suas próprias conclusões.
           
            Para os que lá estavam ficou claro que se firmou um coral harmonioso. Não me recordo quem tenha se pronunciado em favor da transferência, sendo exceção, apenas sutilmente, o Sr. Camilo Santana.
            Quando o Sr Secretário levantou a idéia que deveríamos discutir a questão do Parque apenas pautados em critérios técnicos, discordei. Não podemos levar em consideração apenas sobre critérios técnicos. O Parque de Exposição tem uma tradição. Já se passaram quase 60 anos de sua fundação. Existe uma áurea de aconchego. Cada Pavilhão daquele representa uma História. Receio que a alteração desconfigure o clima de bem estar que sentimos ao freqüentá-lo. Conheço inúmeras festas que possuem Infra-Estrutura similar ou melhor que a nossa e nem por isso representam sucesso.

            Tradição é coisa séria e não significa atraso como muitos pensam. Nossos avôs freqüentavam o Parque. Hábito que foi passando de geração para geração. É incrível como a Expocrato representa a confraternização das famílias. Muitos dos nossos cidadãos que moram em Estados distantes voltam à terra natal para vivenciar a época da juventude e possibilitar que seus filhos conheçam e continue uma História iniciada por eles.
            Transferi-lo para uma área distante de onde estar, no Centro da cidade. Poderá descaracterizá-lo. Não podemos conceber a nossa Expocrato como sendo um Evento unicamente Agro-Pecuário. Na verdade é o maior evento turístico da Cidade. Estamos entre as cinco maiores Exposições agro-pecuárias do país. E de certo tal sucesso deve-se também ao seu sucesso social. Estima-se que entre 50.000 a 70.000 pessoas passaram a semana da Expo-Crato em nossa cidade. Muitos destes visitaram Juazeiro e dinamizaram o comércio de nossa vizinha. As pessoas desta cidade já estão habituadas com o Parque, já o conhecem como a palma da mão. E tenha a certeza que o comércio do Crato irá sentir uma queda. Estando próxima como está do centro da cidade, muitas pessoas fazem suas compras antes ou depois de ir ao Parque. Será que sua retirada não irá prejudicar o nosso comércio, que já anda meio combalido?

            Não negamos os problemas da ExpoCrato. Carência de banheiros, a questão do fétido rio, etc. Mas qual é o grande Evento que não tem seus problemas. Quem acredita que tais problemas não existirão em outro Parque.

            Existe um Projeto, por sinal parte dele já está exposto no Blog do Crato. A Prefeitura Municipal possui o Projeto. Pode ser seguido, melhorado, alterado, ampliado. Mas alertamos e aqui registramos. Não comentam o erro de destruir o nosso maior Evento.
           
            Muitos alegam a falta de espaço. Para os que não sabem a área do Parque possui aproximadamente 40 hectares, dos quais parte significativa ainda está inutilizada.
            Existe congestionamento? Sim existe. Mas é possível minimizá-lo envolvendo-o por um cinturão viário que fluirá o tráfego. Ruas podem ser abertas pelo pantanal, para dar acesso aos animais ou até mesmo veículos. O alto da Penha pode receber melhorias permitindo outra via de acesso. A abertura do Palco pode ser dirigida para outro sentido para minimizar o prejuízo para os pacientes do Hospital São Francisco. Falou-se até na construção de um lago no Parque o que minimizaria os problemas de enchentes na Praça da Sé, Cemitério e Rua da Vala. Bem são muitas as sugestões. E os projetos mostram essa viabilidade.
           
            Sinceramente será que vocês acreditam que o interesse é ampliar a Universidade, como o Governo vem alegando? Digo, porque conheço, dela fui aluno, e por ela passo quase todos os dias. Tenho amigos professores e alunos na URCA. Seu problema não é de espaço e sim de gerenciamento. A URCA precisa é ser reestruturada. Pode crescer verticalmente. Pode ser desapropriado o terreno de quase 4.000 metros quadrados que existe na frente etc.
            Não queremos tamanho Senhor Governador, queremos qualidade. A URCA vem perdendo gradativamente seus mestres. O Governo não realiza Concurso para professor efetivo e por aí vai. Prioridade para a Educação? Nem ao menos concordou em pagar o piso dos professores da Rede Estadual. Então vamos debater em alto nível. Porque essa não cola. Sinceramente o que a Universidade vai fazer com 40 hectares. Se porventura possuísse Cursos de veterinária ou de agronomia, que exigem ampla área para animais e plantação até caberia a necessidade.
            O que será dos pavilhões, dos currais? O Governo precisaria de milhões para construir uma nova estrutura universitária no Parque. Vocês ouviram o Governo afirmar se existe verba orçamentária para ampliar o Campus do Pimenta? Falou-se de 25 milhões para o Novo Parque. Quantos milhões o Governo têm para a nova Universidade? Caso contrário vão botar tudo abaixo, o que lá existe se perecerá ou será roubado e nós teremos um terreno baldio no centro da cidade.    
           
            Há anos a Universidade recebeu doação de milhares de metros quadrados atrás da Universidade para construção do Ginásio. Foi construído? O Governo Municipal já se comprometeu em ceder 10.000 metros quadrados para a Instituição, Ela se manifestou? Por que não se faz o Campus de São Miguel, próximo onde esperamos a construção do Centro de Convenções e a Universidade Católica. Não fica mais adequado? O terreno até já foi prometido pelo Governo Municipal, então pra que gastar o dinheiro público indenizando “a” ou “b”, se já existe terreno cedido? Será que há lisura nessa intenção de desapropriar terras de “a” e “b”?

            Não quero me alongar mais. Mas confesso que fiquei entusiasmado com Juarandir Timóteo quando ele me disse: “Angelo, queremos do Parque de Exposições o nosso Mini Ibirapuera”. Porque não? Aquela área pode ser a área de lazer do povo do Crato. Dei entrevista ao Carlos Bezerra da Rádio Educadora dizendo exatamente isso. Poderíamos ter lá quadras, equipamentos de exercícios físicos, espaço para cooper, ciclo vias, concha acústica, etc. O espaço da quadra serviria de piso para os stands na época da Expocrato. Sendo movimentado constantemente atrairia segmentos de churrascarias, etc.
            Enfim muita coisa pode ser feita. Sem levar em consideração que outros dois Eventos já começam a se consolidar no Parque o BERRO e a EXPROAFRO. Será que eles continuarão a ter o mesmo ritmo de crescimento em outro local distante do fluxo de pessoas?
            A localização central do Parque facilita o acesso das pessoas à pé. Vamos ali na Expocrato, quantos não fazem isso? Passeiam, lancham, etc.
            Existe espaço sim para construção de novos pavilhões, baias, alojamento para vaqueiro, armazém para estocagem de feno, etc. Tudo pode ser feito ali.
            Ao invés de destruir, vamos renovar, melhorar. Os vinte e cinco milhões podem ser usados nestas melhorias.
            Tantas cidades realizam Eventos patrocinados pelo dinheiro público como o Festival de Inverno de Garanhus, o de Jazz de Guaramiranga. Se o Crato é a cidade da Cultura é preciso fornecer elemento cultural à altura. Não é o que temos visto nas atrações dos últimos anos na Expo-Crato.
           
            Tenho conversado com Jurandir Timóteo para a necessidade de fazermos um levantamento do patrimônio do que lá já existe. Brevemente noticiaremos esta informação.
            Posso até ter sido petulante ao dizer na audiência pública: “Não é ameaça é debate. Se o Governo do Estado bater o martelo e mudar a Expocrato, pode até ser que mude, mas o Governo perderá o apoio do povo do Crato”
           
            É chegada a hora de valorizarmos a nossa cidade e nos unirmos em sua defesa. Não aceitaremos ser passados para trás.

            Não pensemos pequeno, juntos somos mais. E se nos mobilizamos em defesa da Nossa Expocrato. Vamos nos manter unidos para que todas essas reformas sejam concretizadas.   
              
Ângelo Borges Papaléo
Bacharel em Ciências Jurídicas, Professor e Cratense

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